28 maio 2014

Territórios Expandidos: o autorretrato

Desde que comecei a retornar pouco a pouco à pesquisa da imagem, vez ou outra esbarro no autorretrato. Trata-se de um processo no qual a imagem de meu corpo, e a do meu próprio olhar vai se insinuando gradativamente nos trabalhos.
Retomei a princípio pela fotografia, mas tendo como referência a pintura, buscando um deslocamento, um desvio do foco principal da imagem referência, como é o caso em Autorretrato como noiva de 2011.

Autorretrato como noiva, fotografia, 2011


Autorretrato como Vênu, fotografia, 2012

Os trabalhos se desdobraram no que chamei de série Corpo Presente na qual comecei a antever uma nova possibilidade que ia de encontro às outras produções que investigava: a de trabalhar o autorretrato que não o meu - o do outro.

Autorretrato como Ama 2, objeto,  2012

A possível presença do outro no meu próprio autorretrato tambem aparece na série A Outra , de 2013, em que o material de impressão foi deliberadamente escolhido para permitir que o reflexo do público se fundisse às imagens dos meus próprios reflexos.
A Outra, impressão em metacrilato, 2013

Se em A Outra escolhi trabalhar com minha imagem indireta, a partir dos sutis reflexos de mim mesma nas mais diferentes superfícies, como se me encontrasse por acaso, o trabalho Cetro/Entre Tantos, levou-me novamente ao autorretrato do outro.

Cetro/Entre Tantos  carrega em si a ideia de explorar o autorretrato alheio, fundido à ideia de troca, que perpassa a ideia de identidade pela imagem tanto quanto pelo objeto.

Nas diversas fotografias que venho recolhendo noto a repetição de certas poses e em muitos, a presença do clássico vetor olho do retratado/olho no espelho/olho do público/olho do artista. Começo a explorar esse "olho no olho" ainda que de esgelha, que tanto caracteriza o autorretrato na pintura e desenho, desde que o artista começou a se colocar como assunto em sua obra.

Entre tantos - Tallin, 2013

Entre tantos - Barcelona, 2013

Entre tantos, desenho, 2014

Falei tudo isso para dizer que, além de investigar o autorretrato através de trabalhos, já há algum tempo que venho lendo muita coisa interessante sobre o tema. É dentro desse cenário que venho propor o próximo curso Territórios Expandidos.

Este curso vem ocorrendo desde 2012, e se caracteriza pela abordagem de variadas linguagens na exploração de um tema escolhido. A partir de Agosto, iniciarei mais um Territórios Expandidos : o autorretrato. O tema é ponto de partida para o participante refletir e se aprofundar em seu próprio processo criativo. Como sempre, será composto por um grupo pequeno, de no máximo 6 pessoas, para que o atendimento seja bastante focado no participante. Teremos encontros semanais de duas horas nas segundas feiras.

Nesses encontros conversaremos sobre textos e imagens de artistas ao longo da história para discutir sobre a relevância de um artista pensar em autorretrato em tempos de selfies. Como poderia se dar esse desenvolvimento? Quais outras relações com temas/técnicas/materiais podem se desdobrar a partir do autorretrato em seu trabalho?

Além da fotografia, exploraremos o desenho, a pintura e o objeto.  Faremos atividades práticas durante as aulas, além de haver a possibilidade de discussão dos seus trabalhos já em andamento.

Se você se interessa por essa proposta, reserve já sua vaga!





Corpo Presente: o que é isso?

A ideia de uma prática de Corpo Presente existe em contraponto a de um corpo ausente. Diria que minha relação com meu próprio corpo iniciou-se assim: por uma ausência. As mãos frias, as poucas carnes e a cabeça no fértil e interessantíssimo mundo das ideias e da imaginação.

Sei que existem muitas outras maneiras de um corpo ser. Existem aqueles que constroem barreiras: as de gordura, as de carapaças musculares, as de tensões. As mais diferentes estratégias nos impedem de estar presente em nossos corpos. 

O fato é que anos de infância e adolescência de corpo ausente me custaram uma série de doenças e desconfortos, sem falar na penúria das aulas de educação física, que se configuraram mais como uma fonte de paranóia do que uma verdadeira educação. A não ser a aula de dança da Fundação das Artes de Santo André.

Ali, pela primeira vez, senti e vivi uma felicidade corporal genuína. A sementinha plantada naquelas aulas, nas quais a imaginação estava plenamente aliada à expressão corporal, foi germinando ao longos dos anos e me impulsionando na procura do corpo presente.

Essa busca eu venho realizando há pelo menos vinte anos, tendo encontrado respostas em diversas atividades: desde as aulas de consciência corporal com duas maravilhosas bailarinas no início dos anos 90, a aulas de yoga, dez anos de prática de Aikido e, mais recentemente, na introdução ao Kinomichi.

A experiência de um corpo ausente em busca de um corpo presente é o motor que me faz propor esta atividade no Tatamito/Estúdio MF.

Das diferentes técnicas que aprendi ao longo desses anos surge essa proposta, Corpo Presente, que se desenvolve em uma hora de prática em grupos de duas pessoas,  mas de acordo com as necessidades de cada um.

Gostou da ideia? Para experimentar, é só me escrever e agendar um horário.


15 abril 2014

Novo Curso: Corpo Presente




Corpo Presente é uma proposta de conscientização corporal na qual realizamos práticas com uma hora de duração derivadas do Aikido, Kinomichi e Yoga.

As práticas podem ser em duplas ou personal.

Para saber mais, agendar um horário: entre em contato por email ou telefone (11) 98290 6651




Local: Estudio Mirla Fernandes/ Tatamito Personal Dojo
            Rua Alves Guimarães, 1437, São Paulo